terça-feira, 5 de outubro de 2010

O tratado português


Se há coisa que os portugueses levam a sério é o 5 de Outubro. Não por ser o dia do Tratado de Zamora , que em 1143 deu a independência a Portugal – ainda que só até à semana passada mais coisa menos coisa, que entretanto a Alemanha e os mercados, ou algo dentro deste género, é que já mandam nisto. Não, não, o que se leva a sério é o feriado. Desde que haja feriado, ninguém quer saber por aí além se o Zamora está tratado ou não, se Portugal está alguma coisa ou não, pode vir a revolução, cair o Rei, cair a República, viva o Natal e a Restauração.
Um estudo ainda por fazer revela que a maioria dos portugueses, por serem sãos de cabeça, não têm grande vontade de comemorar, seja a independência, seja a implantação da República, que também é sempre assinalada neste dia por certos grupos de republicanos convictos, que ainda os há, seja outra coisa qualquer. Mas ainda conservam aquela alegria espontânea, e bonita de se ver, por não irem trabalhar.
Nós ficámos a coçar a pança até ao meio dia em memória da independência e do Tratado de Zamora, e, o resto do dia, refastelados no sofá por conta da Republica. Como de resto faz todos os dias, e não só neste, muita gente, cuja ideia de Implantação da República é freudianamente associada a esta imagem, na medida em que, neles, remete mais depressa para implante mamário, do que para Implantação da República: implantados eles, à mama; mamários também eles, à teta. Acaba por ser um símbolo perversamente adequado para tal ideia, tal gente, e em parte, infelizmente, tal Republica. Mas se a jovem da imagem está na verdade meio despida, isso acontece para afirmar que, sob a alçada do seu gesto, todos estamos livres de espartilhos mesquinhos, e não para anunciar aos sete ventos que ela, a Rapariga-República, oferece assim as mamas a qualquer. Está esclarecido este ponto? Ora ainda bem, isso mesmo é que é preciso.

Sem comentários:

Enviar um comentário